Esta página explica, em linguagem executiva, por que razão “status verde” e “top 10 riscos” são insuficientes em megaprojetos (energia, industrial, infraestruturas, portos, aeroportos, plataformas, plantas de processo), e o que um Dono de Obra precisa para governar decisões sob escrutínio.
Uma lista de riscos pode ser bem escrita e ainda assim falhar. Em acoplamento, o problema nasce das interações e das cadeias de dependências — não de eventos isolados.
Pontuações qualitativas tendem a ignorar rutura de condições: quando uma interface bloqueia, o efeito multiplica-se. O risco real é sistémico: propagação, atrasos em cadeia e re-trabalho.
Cronogramas podem parecer coerentes e ainda assim serem frágeis: a lógica existe, mas as premissas de acesso, maturidade, recursos e prontidão não estão provadas.
Em projetos grandes, a maioria dos atrasos críticos não nasce dentro de uma disciplina. Nasce entre equipas, entre contratos, entre fases (ENG/PROC/CONST/PRECOM/COMM).
“Estamos bem” até ao dia em que um pré-requisito falha: energização, permissões, completions, utilidades temporárias, acesso, operabilidade. Depois, a recuperação torna-se exponencialmente mais cara.
Em acoplamento, um pequeno atraso não “fica local”. Ele desloca sequências, muda o caminho crítico, cria sobreposição de frentes e aumenta o retrabalho.
Progresso físico e curvas de percentagem podem esconder: loops não testados, ITRs pendentes, energização incompleta, falta de pre-requisitos e operabilidade por demonstrar.
Quando a medição não está ligada ao “pode operar?”, o reporting otimiza aparências. O Dono de Obra precisa de evidência de prontidão, não apenas de atividade.
O antídoto não é “mais dashboards”. É uma linha de evidência: pre-requisitos, interfaces, testes, completions e condições de rutura — preparada para contraditório.
Separar factos, inferências e apostas. Tornar explícitas as premissas e as condições que, se falharem, derrubam a previsão.
O que bloqueia o fluxo, quem remove o bloqueio, e que valor é desbloqueado a seguir. Sem isto, as equipas “correm” e o sistema não avança.
Saídas curtas, defensáveis e acionáveis para patrocinadores e administração — especialmente quando existem parceiros, JV, NOC, reguladores ou pressão reputacional.